A história de Francisco Morato

Um registro histórico no surgimento da cidade a partir das ferrovias

No dia 21 de Março de 1965 o distrito de Francisco Morato tornava-se mais um município do Estado de São Paulo. Essa cidade emancipava-se da comarca de Franco da Rocha, cidade vizinha. O nascimento dessa cidade está ligada à construção da Ferrovia Santos-Jundiaí, iniciada em 1862 e terminada com a inauguração da estação de Jundiaí, em 16 de fevereiro de 1867.

A Ferrovia Santos-Jundiaí, também conhecida como São Paulo Railway, foi a primeira estrada de ferro construída em solo paulista com associação de investidores ingleses que visavam atender necessidades de integração territorial. Sua construção permitiria o desenvolvimento não só do Estado de São Paulo, mas do país, no final do século XIX, o que impulsionaria as exportações do café, o aumento da produção agrícola, o comércio e o estímulo do processo de urbanização. Constituiu-se um importante elemento de penetração e dominação de territórios, anteriormente ocupados por índios e matas.

Ferrovia é um elemento integrador que não se restringe somente em estabelecer as relações econômicas, mas também as sociais e urbanas de sociedades, diferindo épocas e engrenando o desenvolvimento das cidades que estão às suas margens.

Para Milton Santos, as ferrovias e portos levariam o Brasil apontar para um meio técnico da circulação mecanizada e do início da industrialização, acompanhada pela urbanização. Mais tarde essas ferrovias permitiriam criar bases para uma integração do mercado e do território. Tornar-se-iam os primeiros sistemas de engenharia no território brasileiro (Santos; Silveira, 2008 pp. 27-33).

A ferrovia surgiu no século XVI, na Inglaterra e rapidamente se difundiu pelo mundo. O seu surgimento remonta a Revolução Industrial. As inovações dessa época permitiram o uso da energia a vapor, que aplicada aos transportes pode permitir o barco a vapor e o trem. O seu surgimento permitiu rapidez, segurança e maior capacidade de transporte. Isso exigiu maior regularidade na produção e uma nova organização do trabalho.

“A partir do pioneirismo inglês, deu-se início a era das ferrovias em que única preocupação era simplesmente a ligação proposta por cada estrada” (LAVANDER Jr, p. 17)

Em diferentes continentes, as estradas de ferro provocaram a mesma transformação radical nos transportes. O fluxo de transportes no planeta aumentava, determinando novos costumes e regras sociais, entre elas o uso do relógio.

As ferrovias se revelaram, no século XIX, como afirmação do sistema capitalista, possibilitando a expansão da produção voltada para o lucro e mostrando-se um investimento rentável, encurtando distâncias, barateando o custo dos transportes, interligando mercados e gerando emprego.

Para o Brasil, que era dependente de produtos industrializados e de conhecimentos técnico-científicos, as ferrovias se instalaram com a função de auxiliar no escoamento de matérias-primas e a chegada de produtos importados, principalmente da Europa. Considerando as dimensões geográficas do Brasil, as ferrovias assumiram uma importância extraordinária.

A instalação de ferrovias alterava as paisagens em seus diferentes aspectos, valorizando as áreas em que se situavam, promovendo alterações no solo com o corte de leitos e a derrubada de matas, para a construção de estradas e uso da lenha.