Ferrovias e as cidades

Antes das ferrovias, as cidades pelo Brasil estavam voltadas para rios e estradas, que eram os importantes meios de comunicação entre as regiões. Com o surgimento das ferrovias, as cidades se voltaram para as estações. Em zona urbana, a ferrovia apontava para o crescimento do espaço, atraía centros comerciais. A construção de importantes cidades pelo interior de São Paulo é fruto, em alguns casos, da existência da ferrovia. Mais tarde, com a explosão econômica no Estado, as rodovias

A ferrovia Santos-Jundiaí, também conhecida como São Paulo Railway, atualmente denominada linha 7 (Rubi) da CPTM, foi a primeira estrada de ferro construída em solo paulista com associação de investidores ingleses que visavam atender necessidades de integração territorial. No final do século XIX, a construção de ferrovias permitiu o desenvolvimento não só do Estado de São Paulo, mas do país, ao impulsionar as exportações do café, o aumento da produção agrícola, o comércio e o estímulo do processo de urbanização. Foi um importante elemento de penetração e dominação de territórios, anteriormente ocupados por índios e matas. Ferrovia é um elemento integrador que não se restringe somente em estabelecer as relações econômicas, mas também as sociais e urbanas de sociedades, diferindo épocas e engrenando o desenvolvimento das cidades que estão às suas margens. Os portos e ferrovias levariam o Brasil apontar para um conjunto de operações técnicas que subsidiariam o início da industrialização, acompanhada pela urbanização. Mais tarde essas ferrovias permitiriam criar bases para uma integração do mercado e do território. Tornar-se-iam os primeiros sistemas de engenharia no território brasileiro (Santos; Silveira, 2008 pp. 27-33). A ferrovia surgiu no século XVI, na Inglaterra, e rapidamente se difundiu pelo mundo. O seu surgimento remonta a Revolução Industrial. As inovações dessa época permitiram o uso da energia a vapor, que aplicada aos transportes pode permitir a mecanização do barco a vapor e a criação da locomotiva. O seu surgimento permitiu rapidez, segurança e maior capacidade de transporte. Isso exigiu maior regularidade na produção e uma nova organização do trabalho.

Em diferentes continentes as estradas de ferro provocaram a mesma transformação radical nos transportes. O fluxo de transportes no planeta aumentava, determinando novos costumes e regras sociais, entre elas o uso do relógio. No século XIX, As ferrovias se revelaram como afirmação do sistema capitalista, possibilitando a expansão da produção voltada para o lucro e mostrando-se um investimento rentável, encurtando distâncias, barateando o custo dos transportes, interligando mercados e gerando emprego.

Foto da Estação de Paranapiacaba: hoje símbolo do patrimônio ferroviário; Fonte: Arquivo fotográfico – Fonte: www.estacoesferroviarias.com.br

Mapa das estrada de ferro paulistanas, com destaque para ferrovia Santos-Jundiaí, a 1ª em solo Paulista. Arquivo fotográfico – Fonte: www.estacoesferroviarias.com.br

Chegada e embarque de imigrantes na Estação. Fonte: Lavander Jr – Memórias de uma Inglesa

Áreas de mata virgem foram derrubadas e realizados aterros para nivelamento durante a construção da Estrada de Ferro. Fonte: Lavander Jr – Memórias de uma Inglesa

A presença efetiva da ferrovia marcou o cotidiano brasileiro até a década de 30, quando então a rodovia passou a ser uma forte concorrente, e apresentando-se como uma opção bastante atrativa ao momento político e econômico vivido. A partir do ano de 1950, o entusiasmo com o parque automobilístico foi decisivo para que o transporte ferroviário fosse colocado em segundo plano no país. A rodovia passou a atrair interesses na formação de novos agrupamentos e cidades, com densidade e estrutura urbana ainda mais complexas que aquelas proporcionadas pela ferrovia. Segundo Nunes (2005, p.32), para muitos autores a ferrovia perde sua efetividade após o declínio da economia cafeeira, acentuado após a crise de 1929 e a diversificação da economia paulista, que provocou uma diminuição dos fretes de café por meio da ferrovia. A produção voltada ao mercado interno passou a ser mais lucrativa do que a produção voltada à exportação. Enquanto a ferrovia ligava exclusivamente áreas exportadoras até o porto de Santos, com pouca possibilidade comunicativa entre as várias áreas econômicas, as rodovias surgem como uma alternativa flexível para se chegar a novas áreas e articular o entrosamento entre as regiões do território nacional. Dessa forma, a ferrovia cedeu lugar para a rodovia e a locomotiva para o caminhão. A ferrovia, com o novo modelo industrial do Estado, passa a ter a função de transportar operários que se deslocam de áreas afastadas para o centro paulistano, além de continuar transportando minérios destinados à exportação.